O império do consumo - Eduardo Galeano

Eduardo Galeano - foto: Samuel Sánchez
"A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera."
Eduardo Galeano


O império do consumo 
Esta ditadura da uniformização obrigatória impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
- por Eduardo Galeano
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A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no écran do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?

A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia. E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar.

A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam o ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho.

O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.

“Gente infeliz os que vivem a comparar-se”, lamenta uma mulher no bairro do Buceo, em Montevideo. A dor de já não ser, que outrora cantou o tango, abriu passagem à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, de Buenos Aires. E outro comprova, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: “Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem suando em bicas para pagar as prestações”.

Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde a quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a “obesidade severa” aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou uns 40% nos últimos 16 anos, segundo a investigação recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado.

O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar só sai do automóvel par trabalhar e para ver televisão. Sentado perante o pequeno écran, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.

Triunfa o lixo disfarçado de comida: esta indústria está a conquistar os paladares do mundo e a deixar em farrapos as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que veem de longe, têm, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade, são um patrimônio coletivo que de algum modo está nos fogões de todos e não só na mesa dos ricos.

Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão a ser espezinhadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald’s, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.

O campeonato mundial de futebol de 98 confirmou-nos, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola brinda eterna juventude e o menu do MacDonald’s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército de McDonald’s dispara hambúrgueres às bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O arco duplo desse M serviu de estandarte durante a recente conquista dos países do Leste da Europa. As filas diante do McDonald’s de Moscou, inaugurado em 1990 com fanfarras, simbolizaram a vitória do ocidente com tanta eloquência quanto o desmoronamento do Muro de Berlim.

Um sinal dos tempos: esta empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. A McDonald’s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama a Macfamília, tentaram sindicalizar-se num restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas em 1998, outros empregados da McDonald’s, numa pequena cidade próxima a Vancouver, alcançaram essa conquista, digna do Livro Guinness.

As massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite. No último quarto de século, os gastos em publicidade duplicaram no mundo. Graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório.

Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra. Comprados a prazo, esse animalejo prova a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de juros que este ou aquele banco oferece.

Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o automóvel é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.

As angústias enchem-se atulhando-se de coisas, ou sonhando fazê-lo. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas te escolhem e te salvam do anonimato multitudinário.

A publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz. Isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias: Em quem o senhor quer converter-se comprando esta loção de fazer a barba? O criminólogo Anthony Platt observou que os delitos da rua não são apenas fruto da pobreza extrema. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social do êxito, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Sempre ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.

Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX pôs fim a sete mil anos de vida humana centrada na agricultura desde que apareceram as primeiras culturas, em fins do paleolítico. A população mundial urbaniza-se, os camponeses fazem-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação, e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em toda parte, mas por experiência sabem que atende nas grandes urbes.

As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os que esperam veem passar a vida e morrem a bocejar; nas cidades, a vida ocorre, e chama. Apinhados em tugúrios [casebres], a primeira coisa que descobrem os recém chegados é que o trabalho falta e os braços sobram.

Enquanto nascia o século XIV, frei Giordano da Rivalto pronunciou em Florença um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam “porque as pessoas têm o gosto de juntar-se”. Juntar-se, encontrar-se. Agora, quem se encontra com quem? Encontra-se a esperança com a realidade? O desejo encontra-se com o mundo? E as pessoas encontram-se com as pessoas? Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente se encontra com as coisas?

O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. As estações de ônibus e de comboios, que até há pouco eram espaços de encontro entre pessoas, estão agora a converter-se em espaços de exibição comercial.

O shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as vitrines, impõe a sua presença avassaladora. As multidões acorrem, em peregrinação, a este templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e extenuante.

A multidão, que sobe e baixa pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago, e para ver e ouvir não é preciso pagar bilhete. Os turistas vindos das povoações do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas bênçãos da felicidade moderna, posam para a foto, junto às marcas internacionais mais famosas, como antes posavam junto à estátua do grande homem na praça.

Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam ao centro. O tradicional passeio do fim de semana no centro da cidade tende a ser substituído pela excursão a estes centros urbanos. Lavados, passados e penteados, vestidos com as suas melhores roupas, os visitantes vêm a uma festa onde não são convidados, mas podem ser observadores. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.

A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.

O dinheiro voa à velocidade da luz: ontem estava ali, hoje está aqui, amanhã, quem sabe, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. Paradoxalmente, os shopping centers, reinos do fugaz, oferecem com o máximo êxito a ilusão da segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, para além das turbulências da perigosa realidade do mundo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?

A sociedade de consumo é uma armadilha caça-bobos. Os que têm a alavanca simulam ignorá-lo, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta.

A injustiça social não é um erro a corrigir, nem um defeito a superar: é uma necessidade essencial. Não há natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.
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Fonte: Carta Capital. 30.12.2010.

Meditar é preciso...

Naradeva/imagem: meditação
"Somos um misto de sombras e luzes, de qualidades e defeitos. Seria essa uma maneira de ser ideal, um fato inevitável? Se assim não for, o que fazer? Essas perguntas merecem ser feitas, sobretudo, se sentimos que uma mudança é possível e desejável. [...] As técnicas de meditação visam transformar a mente. Não é necessário atribuir-lhes um rótulo religioso particular. Cada um de nós tem uma mente, cada um pode trabalhar com ela."
- Matthieu Ricard, no livro, “A arte de meditar”.




❝ Só o silêncio faz rumor no voo das borboletas. 
- Manoel de Barros, no livro “O fazedor de amanhecer”. 
São Paulo: Editora Salamandra, 2001.

Meditar é preciso...
Está comprovado que a meditação melhora a saúde, aumenta a vitalidade e a longevidade, alivia o estresse, reduz a mortalidade e facilita os processos de autocura
- por Amyatari Ana Maria Echeverry e Silexi Solange Menta
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Um legado cultural de tradições antigas, a meditação tem crescido em todo o mundo. O que antigamente era privilégio de monásticos ou eremitas em cavernas, passou a fazer parte da vida de muitas pessoas. Ela ultrapassou as fronteiras geográficas e culturais, saiu do mundo espiritual para também ser estudada e praticada  nos meios científicos, educacionais e empresariais.
Segundo o mentor e filósofo Suryavan Solar em seu livro “Meditação – a arte de voar”, a prática é “o estado natural, livre e ilimitado da consciência humana que todos experimentamos de forma espontânea em algum momento de nossa vida”, mas se encontra obscurecido por uma mente agitada, que flutua entre o passado e o futuro, a memória e a imaginação.
Está comprovado que a meditação melhora a saúde, aumenta a vitalidade e a longevidade, alivia o estresse, reduz a mortalidade e facilita os processos de autocura. Uma pessoa em estado de meditação consome seis vezes menos oxigênio que dormindo. Diminui a frequência cardíaca e a pressão arterial, reduz o cortisol, aumenta o nível de serotonina e a imunidade. E o melhor é que os efeitos se mantêm após a prática.
Pesquisas publicadas nos EUA em 2012 apontaram que a meditação diminuiu a incidência em 49% das mortes por câncer, em 30% os óbitos causados por problemas cardiovasculares e em 23% os falecimentos por outras causas.
Um levantamento da Universidade da Califórnia em Los Angeles mediu o acúmulo de gordura nas artérias de 30 pessoas com pressão alta. Depois de meditar 20 minutos, duas vezes por dia, ao longo de sete meses, a quantidade estava menor. Meditar também é útil para reduzir em 47% as chances de ataque cardíaco e infarto em adultos, segundo a Associação Americana do Coração.

Mente saudável = corpo saudável
No nível emocional, a meditação melhora a autoconfiança e a autoestima, traz alegria e felicidade, desenvolve o altruísmo e nos torna mais compassivos na relação com nós mesmos e com os demais. Pesquisadores do Centro de Investigação de Mentes Saudáveis, da Universidade Wisconsin–Madison, orientaram voluntários a fazer meditação compassiva. Exames de imagem cerebral, realizados antes e depois do experimento, detectaram alterações na resposta cerebral dos participantes quando viam imagens de pessoas sofrendo. Os cientistas observaram aumento da atividade em áreas como o córtex parietal inferior, associado à empatia, e o córtex pré-frontal dorsolateral, envolvido na regulação de emoções negativas.
A meditação está se expandindo em empresas, colégios e universidades, pois desenvolve o potencial da mente e ativa capacidades como memória, agilidade mental, pensamento analítico, intuição e criatividade. Trabalho publicado na revista científica americana NeuroImage concluiu que o cérebro de quem medita é mais eficiente, focado e concentrado.
Desde a antiguidade, a meditação é prática central em todas as tradições espirituais do mundo, ao conduzir ao conhecimento de si mesmo e ao despertar da consciência. Meditantes conseguem observar crenças, padrões e comportamentos. Com isso, temos a chance de modificá-los, sendo seres melhores, mais humanos e praticamos as chamadas virtudes. Tornamo-nos mais sábios e sofremos menos, porque compreendemos a origem do sofrimento. Ficamos menos individualistas, saindo da sensação de vulnerabilidade e de separação, ficando plenos e realizados.
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:: Fonte: Revista Regional


Literatura faz bem para a saúde - Moacyr Scliar

Reading, by Emilio Grau Sala
Literatura faz bem para a saúde
Não é de admirar que a leitura tenha se tornado um recurso terapêutico ao longo dos tempos
- por Moacyr Scliar* - Revista Vida Simples - 2/2008
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"É difícil / extrair novidades de poemas / no entanto, pessoas morrem miseravelmente / pela falta daquilo que ali se encontra." O poeta e dramaturgo modernista americano William Carlos Williams (1883-1963) sabia do que estava falando quando escreveu esses versos: além de escritor multitalentoso, tinha formação em medicina e efetivamente trabalhava cuidando da saúde dos outros. A partir de sua afirmativa, a pergunta se impõe: o que existe, nos poemas e na literatura em geral, que pode manter as pessoas vivas e, quem sabe, até ajudar na cura de algumas doenças?

Em primeiro lugar, podemos destacar as próprias palavras. Que são, como costumavam dizer os antigos gregos, um verdadeiro remédio para as mentes sofredoras. Não se tratava só de uma metáfora engenhosa e sedutora: no século 1 d.C. o médico romano Soranus prescrevia poemas e peças teatrais para seus pacientes. O teatro, aliás, era considerado uma válvula de escape para aquelas emoções reprimidas que todos têm, através da catarse (alívio) que proporciona.

A palavra tem um efeito terapêutico. Verbalizar ajuda os pacientes, e esse é o fundamento da psicoterapia - ou talk therapy, como dizem os americanos. E a inversa é verdadeira: ao ouvir histórias, as crianças sentem-se emocionalmente amparadas. E não apenas elas, claro. Todos nós gostamos de escutar causos e de nos identificarmos com alguns deles. Dizia Bruno Bettelheim (1903-1990), psicólogo americano de origem austríaca, sobrevivente dos campos de concentração nazistas: "Os contos de fadas, à diferença de qualquer outra forma de literatura, dirigem a criança para a descoberta de sua identidade. Os contos de fadas mostram que uma vida compensadora e boa está ao alcance da pessoa, apesar das adversidades".

Não é de admirar, portanto, que a leitura tenha se transformado em recurso terapêutico ao longo dos tempos. No primeiro hospital para doentes mentais dos Estados Unidos, o Pennsylvania Hospital (fundado em 1751 por Benjamin Franklin), na Filadélfia, os pacientes não apenas liam como escreviam e publicavam seus textos num jornal muito sugestivamente chamado The Illuminator ("O Iluminador", em inglês). Nos anos 60 e 70 do século 20, o termo "biblioterapia" passou a designar essas atividades. Logo surgiu a "poematerapia", desenvolvida em instituições como o Instituto de Terapia Poética de Los Angeles, no estado americano da Califórnia. Aliás, nos Estados Unidos existe até uma Associação Nacional pela Terapia Poética.

Aqui no Brasil, já temos várias experiências na área. No livro O Terapeuta e o Lobo - A Utilização do Conto na Psicoterapia da Criança, o psiquiatra infantil, poeta e escritor Celso Gutfreind destaca a enorme importância terapêutica do conto, como forma de reforço à identidade infantil e como antídoto contra o medo que aflige tantas crianças. Também é de destacar o Projeto Biblioteca Viva em Hospitais, realizado no Rio de Janeiro e mantido pelo Ministério da Saúde, pela Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e por um grande banco. A leitura, realizada por voluntários, ajuda a criança a vencer a insegurança do ambiente estranho e da penosa experiência da doença, terrível para todos, mas ainda mais amedrontadora para os pequenos.

Finalmente, é preciso dizer que a literatura pode colaborar para a própria formação médica. Muitas escolas de medicina pelo mundo, inclusive no Brasil, estão incluindo no currículo a disciplina Medicina e Literatura. Através de textos como A Morte de Ivan Illich, do escritor russo Léon Tolstoi (em que o personagem sofre de câncer), A Montanha Mágica, do alemão Thomas Mann (que fala sobre a tuberculose) e O Alienista, do brasileiro Machado de Assis (uma sátira às instituições mentais do século 19), os alunos tomam conhecimento da dimensão humana da doença. E assim, mesmo que muitas vezes indiretamente, a literatura passa a ajudar pacientes de todas as idades.
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*Moacyr Scliar foi médico sanitarista e um dos principais escritores brasileiros, autor de, entre outros, A Paixão Transformada, um ensaio sobre as relações entre medicina e literatura.
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Veja outras crônicas aqui:

:: Literatura como tratamento - Moacyr Scliar

Música na infância dá ouvido mais apurado para o resto da vida

Música na infância
"Toda criança é sensível à música - a todo tipo de música."
- Maurice Ravel, em "Esboço bibliográfico", 1928.
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Música na infância dá ouvido mais apurado para o resto da vida

Muitos dos hobbies que temos quando crianças não dão frutos se a gente os abandona depois de alguns anos. Mas esse parece não ser o caso da música. Pesquisadores da Universidade do Noroeste, em Chicago (Illinois, EUA), apontam que adultos com uma infância regada a notas musicais apresentam audição mais apurada e aprendizado mais fácil.
A razão para isso, conforme explicam os cientistas, é meramente física. Crianças que tiveram treinamento musical tendem a adquirir grande habilidade em identificar a frequência fundamental nos sinais sonoros.

Ouvidos sensíveis
A frequência fundamental é a mais baixa das frequências possíveis em uma onda sonora: 110 Hz e nem um comprimento de onda completo. Quando somos educados com música desde cedo, o cérebro aprende a diferenciar, mesmo que inconscientemente, todos os comprimentos de onda da série harmônica.
A grosso modo, quanto menor a frequência da onda sonora, maior a necessidade de treino que o sistema auditivo precisa ter para captar. O cume desta evolução auditiva, portanto, é a frequência fundamental.
O que os pesquisadores americanos descobriram foi justamente isso: uma familiaridade infantil “afina” natural e permanentemente o ouvido da pessoa.

Quanto mais treino, melhor
Os cientistas de Chicago convocaram 45 jovens adultos e os separaram em três grupos. Aqueles que jamais tiveram qualquer instrução musical na infância, os que tiveram de um a cinco anos de prática, e os que passaram de seis a onze anos estudando música quando crianças.
A “prática na infância” não significa que os bebês já saíram do berço ensaiando um instrumento: a média de idade para o começo da vivência musical, entre os 45 participantes da pesquisa, foi de nove anos de idade.
Os voluntários foram colocados em uma espécie de estúdio, onde eram estimulados a dar resposta a determinados sons. Conforme as emissões sonoras foram ficando mais complexas e difíceis de identificar, os grupos com treinamento musical se mostraram mais rápidos e afiados para dar a resposta.
E quais são as vantagens de se ter uma audição apurada? Bem, em primeiro lugar, nunca se pode descartar a habilidade de ter um sentido superdesenvolvido: com uma audição apurada, por exemplo, uma pessoa pode ouvir sons que passaram despercebidos pela maioria, em determinada situação.
Isso sem falar que nunca é tarde para retomar a prática de um instrumento musical. Aqueles com habilidade já adquirida terão muito mais facilidade para retomar a prática em qualquer ponto da vida.

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:: Fonte: Hypescience

"Eu fico
Com a pureza da resposta das crianças
É a vida, é bonita e é bonita
Viver, e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz"
- Gonzaguinha, da canção "O que é, o que é?". 


Uma taça de vinho é equivalente a 30 minutos de atividade física

taça de vinho
"O bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria."
- Otelo: O Mouro de Veneza - William Shakespeare - Centaur, 2013. p. 13.
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Uma taça de vinho é equivalente a 30 minutos de atividade física

De acordo com uma pesquisa da Universidade de Alberta (Canadá), a tradicional tacinha de vinho que acompanha o jantar de muitos pode ser equivalente a cerca de 30 minutos de atividade física.

Com isso, são minimizados os efeitos do sedentarismo, ajudando a evitar que os músculos envelheçam. Além disso, aumenta a densidade dos ossos, como já e melhora a circulação do sangue.

O responsável por isso é o resveratrol, componente do vinho que também traz vários outros benefícios já conhecidos, como ajudar na prevenção do mal de Alzheimer.

Mas, claro, essa substância não substitui os exercícios físicos; ela apenas é uma auxiliar no processo. Um estilo de vida saudável combinado com o consumo adequado de vinho é perfeito!
Fonte: MenuEspecial

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Ode ao Vinho
Vinho cor do dia
vinho cor da noite
vinho com pés púrpura
o sangue de topázio
vinho,
estrelado filho
da terra
vinho, liso
como uma espada de ouro,
suave
como um desordenado veludo
vinho encaracolado
e suspenso,
amoroso, marinho
nunca coubeste em um copo,
em um canto, em um homem,
coral, gregário és,
e quando menos mútuo.

O vinho
move a primavera
cresce como uma planta de alegria
caem muros,
penhascos,
se fecham os abismos,
nasce o canto.
Oh tu, jarra de vinho, no deserto
com a saborosa que amo,
disse o velho poeta.
Que o cântaro do vinho
ao peso do amor some seu beijo.

Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no cerimonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,

a propagar o cântico do fruto.
- Pablo Neruda, em "Um Brinde à Poesia". de Evan do Carmo. editora do Carmo, 2016.
[tradutor não indicado].

§

Soneto do Vinho
Em que reino, em que tempo e sob que silenciosa
Conjunção planetária, em que secreto dia
Que o mármor não guardou, surgiu a generosa
E única inspiração de inventar a alegria?

Ah! com outonos de ouro a inventaram. O vinho
Vermelho e ardente flui banhando as gerações
Como o rio do tempo, e em seu árduo caminho
Seu cântico nos doa, e seu fogo e seus leões.

Na jubilosa noite e na jornada adversa
Ele exalta a alegria ou suaviza o espanto.
E o ditirambo que hoje, efusivo, lhe canto

Disse-o o árabe uma vez, cantou-o outrora o persa.
Vinho, ensina-me a ver a minha própria história
Como se fora já cinza e pó na memória.

- Jorge Luís Borges [tradução Anderson Braga Horta].


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Chá verde faz bem ao cérebro e à memória

Chá verde faz bem ao cérebro e à memória
Chá verde faz bem ao cérebro e à memória

Além de ser bom para o coração, sabe-se agora que o chá verde também faz bem ao cérebro e, em particular, à memória. A conclusão é de um grupo de investigadores da Third Military Medical University, na China, que desvendou que os benefícios se devem às propriedades químicas deste chá, que influenciam positivamente a produção de células cerebrais. 

"Tem sido dada muita atenção ao uso do chá verde na prevenção de doenças cardiovasculares mas, atualmente, estão a surgir cada vez mais evidências de que a bebida tem também um impacto nos mecanismos cerebrais do cérebro", afirma Yun Bai, professor daquela instituição de ensino superior e coordenador do estudo, citado pela agência noticiosa IANS.

A equipa de Bai focou-se num químico, o EGCG, que é uma das propriedades fundamentais do chá verde. Embora as suas qualidades como antioxidante já sejam conhecidas, os cientistas acreditavam que o químico poderia também ter um efeito benéfico no combate às doenças degenerativas relacionadas com a idade e foi essa a hipótese que tentaram provar.

"Focámo-nos no hipocampo, a parte do cérebro que processa a informação a curto-prazo e as memórias a longo-prazo", explicou o investigador, que revelou que o grupo descobriu que o ECGC aumenta a produção das chamadas células progenitoras que, como as células estaminais, conseguem adaptar-se e "transformar-se" noutros tipos de células.

ECGC facilita aprendizagem e melhora memória

Posteriormente, a equipa fez alguns testes em ratos para apurar se o aumento da produção das células dava aos animais vantagens em termos de memória e aprendizagem espacial, o que acabou por se verificar.

"Os ratos foram treinados por três dias para encontrar uma plataforma visível e, depois, durante sete dias para encontrar uma plataforma escondida", explicou Bai. Os animais tratados com ECGC precisaram de menos tempo para encontrar a plataforma oculta, o que comprovou a hipótese dos investigadores.

Em termos globais, o estudo mostrou, portanto, que o ECGC encontrado no chá verde facilita a aprendizagem e melhora a memória, melhorando, também, o reconhecimento dos objetos.

De salientar que, recentemente, uma equipa de especialistas escoceses anunciou igualmente que o mesmo componente tem potencial para encolher ou eliminar tumores.
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:: Acesse o ‘estudo’ publicado na revista científica Molecular Nutrition & Food Research (em inglês). Acesse aqui!
:: Fonte: boasnoticias.pt (publicado em 6 de Setembro de 2012).

Latitude influência a regulação do sono

Lemmen Georges (sleep)1900.

LATITUDE INFLUENCIA A REGULAÇÃO DO SONO
(Por Karina Toledo -  Fapesp, 17/9/2012)
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A dificuldade para acordar cedo que algumas pessoas apresentam pode não ser simplesmente uma questão de preguiça, mas resultado de uma combinação de fatores genéticos e ambientais, entre eles a posição geográfica em que se vive. É o que indicam estudos realizados no Instituto do Sono , um Centro de Pesquisa,Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

“Pessoas que moram perto da linha do Equador têm maior tendência à matutinidade, ou seja, preferência por acordar e dormir cedo. À medida que nos aproximamos dos polos, os indivíduos vão se tornando mais vespertinos”, contou Mario Pedrazzoli, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP).

Os dados, que estão sendo submetidos para publicação, foram apresentados na 27ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia experimental (FeSBE), realizada em Águas de Lindoia entre 22 e 25 de agosto.

A hipótese de que a latitude seria um dos elementos reguladores do ciclo de sono e vigília foi levantada em 2005, contou Pedrazzoli. A equipe havia acabado de publicar na revista Sleep resultados de uma pesquisa financiada pela FAPESP que mostrava associação entre uma determinada variação no gene PER3 e a síndrome da fase atrasada do sono.

“Pessoas com esse distúrbio sentem sono muito mais tarde do que a média da população, por volta de quatro ou cinco horas da madrugada. Isso pode ser um problema para quem precisa acordar cedo”, disse Pedrazzoli.

Com base em estudos amostrais, os pesquisadores calcularam que a variação alélica em homozigose no gene PER3 associada ao distúrbio de sono está presente em cerca de 10% dos indivíduos, mas apenas uma parcela pequena desse grupo desenvolve a síndrome.

“Isso sugere que parte do problema é resultante da genética e parte, do ambiente. Surgiu então a suspeita de que a posição geográfica em que a pessoa vive pudesse influenciar na regulação do sono”, disse Pedrazzoli.

Para testar a hipótese, os pesquisadores entrevistaram 16 mil pessoas de todos os Estados brasileiros por meio de um questionário que ficou disponível na internet entre 2005 e 2007. O levantamento contou com apoio do CNPq.

As perguntas buscavam investigar os horários em que as pessoas preferiam comer, trabalhar, fazer exercícios, dormir e acordar. A cada resposta era atribuído um valor e a somatória final indicava se o indivíduo era do tipo matutino, vespertino ou intermediário.

Para interpretar os resultados, os cientistas se basearam na teoria de que a alteração entre períodos claros e escuros regula os processos fisiológicos do organismo, como o sono e o apetite. “Segundo essa teoria, quanto mais cedo o indivíduo receber o primeiro sinal luminoso pela manhã, mais cedo ele sentirá sono”, explicou Pedrazzoli.

Mas o horário em que o sol nasce em cada cidade não era o único fator que estava influenciando os resultados do estudo. “Perto do Equador, o dia iluminado dura aproximadamente 12 horas o ano inteiro. Mas, quanto maior a latitude, maior é a variação no período iluminado. Percebemos que essa era a variável que fazia a diferença”, explicou.

Isso quer dizer, por exemplo, que embora o sol nasça praticamente no mesmo horário em Natal e em Porto Alegre durante o verão, o por do sol acontece mais tarde no Sul do país, estimulando os moradores da região a ficarem acordados mais tempo.

Já no inverno, o sol se põe praticamente no mesmo horário no Norte e no Sul, mas nasce mais cedo em Natal do que em Porto Alegre, estimulando os potiguares a acordar e a dormir mais cedo do que os gaúchos.

Atualmente, Pedrazzoli coordena um novo projeto de pesquisa, financiado pela FAPESP, que tem como objetivo investigar o genótipo de amostras populacionais das cidades de Natal, São Paulo e Porto Alegre.

“Queremos estudar as variações no gene PER3 e os padrões de sono dessas populações ao longo do ano, nos meses de dias mais curtos e de dias mais longos”, contou.

Interações

O gene PER3 é responsável pela produção de uma proteína que ajuda a regular os períodos do dia em que as pessoas estão mais ou menos ativas. Segundo Pedrazzoli, a existência de variações nesse gene foi descrita pela primeira vez em 2001.

“Ficamos intrigados porque a região do gene em que essa variação foi encontrada não existia em outros mamíferos normalmente usados em experimentos de laboratório. Desconfiamos que ela estivesse presente apenas em humanos”, contou.

Mas o de doutorado de Flavia Cal Sabino, realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com orientação de Pedrazzoli e Bolsa da FAPESP, investigou diversas espécies de macacos e mostrou que essa região do genoma existe apenas nas espécies primatas.

“Todos os mamíferos tem o gene PER3, mas parece que foi inserido um pedaço adicional no genoma dos primatas ao longo do processo evolutivo. Curiosamente, os primatas são animais diurnos, enquanto a maioria dos mamíferos tem hábitos noturnos”, disse Pedrazzoli.

Em outro projeto de doutorado orientado por Pedrazzoli, Danyella Silva Pereira, da Unifesp, silenciou o gene PER3 em camundongos para medir o impacto no comportamento de sono dos animais.

“Agora estamos trabalhando com animais transgênicos. A ideia é inserir esse pedaço do gene que só existe em primatas nos camundongos e mimetizar em laboratório a variação de dias curtos e longos para entender melhor a interação entre o PER3 e o comportamento de sono”, contou Pedrazzoli.

Esse conhecimento, avaliou, poderá se útil na medicina preventiva. “Se conseguirmos identificar um genótipo mais propenso a sofrer distúrbios do sono, o médico poderá orientar essa pessoa a mudar hábitos ou evitar atividades que possam favorecer a doença, como trabalhar à noite, por exemplo”, disse. 

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Fonte: Agência Fapesp

11 benefícios que o riso traz para a saúde

Sorrir é contagioso! 
"A gargalhada é o sol que varre o inverno do rosto humano."
- Victor Hugo

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11 BENEFÍCIOS QUE O RISO TRAZ PARA A SAÚDE*
Rir fortalece o sistema imunológico, combate o estresse e elimina rugas

Na correria do dia a dia, é muito comum nos estressarmos com os empecilhos da rotina ou ficarmos extremamente cansados no fim do dia, sem vontade de fazer nada. Embora pareçam não ter remédio, esses males podem ter uma solução muito simples: sorrir! É de graça e você não precisa de mais nada além de você mesmo para isso.

O riso, além de trazer aquela sensação de bem-estar que todo mundo conhece, pode ser um grande aliado da saúde, ajudando a prevenir doenças e auxiliando o organismo a cumprir as suas funções diárias. É benefício da cabeça aos pés! Veja aqui tudo o que uma boa gargalhada pode fazer por você:

Coração 
Uma pesquisa na Universidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA), afirma que o riso pode reduzir o risco de doenças cardíacas. A equipe separou dois grupos de pessoas que tinham sofrido um ataque cardíaco e estavam sob cuidados médicos. O primeiro grupo assistia a vídeos de humor durante 20 minutos, todos os dias.

Após um ano, esse grupo apresentou uma queda de 66% da proteína C-reativa, que é um marcador da inflamação e do risco de problemas cardiovasculares. A queda dessa substância no outro grupo foi de apenas 26%. Como conclusão, as pessoas que riram mais tiveram o risco de problemas cardíacos reduzido significativamente.

Colesterol e diabetes 
Dar boas risadas pode aumentar os níveis de colesterol bom no sangue, de acordo com uma pesquisa realizada na Universidade Loma Linda. Os pesquisadores acompanharam 20 pacientes diabéticos com altas taxas de colesterol ruim no sangue. Todos usavam remédios para controlar esses problemas.

Metade desses pacientes continuou com o tratamento padrão, enquanto a outra metade, além de tomar a medicação, assistia a filmes de comédia diariamente, durante 30 minutos. Após um ano, o grupo que foi estimulado a gargalhar elevou seus níveis de HDL, o bom colesterol, em até 26%. No grupo de controle o aumento foi de apenas 3%.

Pressão arterial

Um estudo realizado na escola de medicina da Universidade de Baltimore, nos Estados Unidos, descobriu que rir diminui a pressão arterial, enquanto o estressa a aumenta.

A equipe estudou 20 voluntários saudáveis, não fumantes, com idade média de 33 anos. Eles assistiam primeiro a um trecho de um filme que causasse estresse e, 48 horas depois, viam um filme de comédia.

Antes de assistir a cada filme, os voluntários ficavam em jejum e submetiam-se a testes para saber como vasos sanguíneos respondiam a súbitos aumentos no fluxo de sangue.

Ao final do estudo, foi revelado que o estresse reduz o fluxo de sangue em 35%. Já as risadas provocadas pela comédia fizeram com que o fluxo aumentasse 22%, reduzindo a pressão arterial. Paralelo a isso, ocorria uma limpeza dos vasos sanguíneos.

Pulmões 
De acordo com a especialista em terapia do riso Conceição Trucom, dona do site Doce Limão, quando damos uma boa gargalhada, a absorção de oxigênio pelos pulmões aumenta. Inalamos mais ar e, com isso, a expiração também fica mais forte. "Com maior ventilação pulmonar, o excesso de dióxido de carbono e vapores residuais é rapidamente eliminado, promovendo uma limpeza ou desintoxicação". Ou seja, rir limpa os seus pulmões e ainda os deixa mais fortes!

Digestão
De acordo com a psicóloga Fátima Niemeyer, da Sociedade Brasileira de Psicologia, os músculos que são mais estimulados quando rimos são os abdominais. Esses movimentos fazem uma espécie de massagem em nosso sistema gastrointestinal, melhorando a digestão. "Essa massagem também revigora todo o trabalho hepático", diz Conceição.

Circulação do sangue 
O ritmo cardíaco acelera quando começamos a rir. Os batimentos podem atingir até 120 pulsações por minuto, em comparação com as 70 pulsações por minuto quando estamos em repouso. "Quando a pulsação aumenta, o sangue circula mais intensamente no organismo, o que aumenta a oxigenação de todas as células, tecidos e órgãos", afirma Fátima. Isso faz com que nosso organismo funcione a todo vapor!

Estresse e sistema imunológico 

"Durante uma sessão de gargalhadas, os níveis de cortisol e adrenalina - hormônios do estresse - baixam", diz Conceição. Além disso, nosso cérebro passa a produzir endorfina, hormônio que nos deixa relaxado.

Isso faz com que o corpo consiga produzir mais células de defesa, que ficam mais ativas, fortalecendo o sistema imunológico e blindando o organismo contra doenças.

Segundo Conceição, as células que ganham vantagem na produção - quando os níveis de estresse abaixam - são os linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos; os linfócitos T, que são verdadeiros rastreadores de vírus e bactérias; a imunoglobina A, um anticorpo essencial no combate às infecções respiratórias; e as células NK, que são destruidoras de células cancerígenas.

Combate as rugas 
Ao dar boas risadas, nós movimentamos 12 músculos faciais e, ao dar gargalhadas, movimentamos 24 desses músculos. Quando conversamos e gargalhamos ao mesmo tempo, então, são 84 músculos. Todo esse exercício facial estica a pele, retardando o aparecimento de rugas.

Exercício físico para os idosos 
De acordo com uma pesquisa feita pela equipe da Universidade de Loma Linda, uma gargalhada é tão saudável quanto a prática de exercícios físicos. Isso porque ela estimula a circulação, produz endorfina e também movimenta nossos músculos, não só do abdômen, mas das pernas, braços e pés.

Os pesquisadores afirmaram que o riso pode ser a chave para a saúde de idosos que não conseguem praticar atividades físicas.

Autoestima 
"O sorriso melhora o bom humor, eleva a autoestima te deixa mais seguro", diz a psicóloga Melina Blanco Amarins, do Hospital Albert Einstein. Ela afirma que a Terapia do Riso nos hospitais é capaz levantar o alto astral do paciente e diminuir o sofrimento da internação, deixando-o mais confiante.

A psicóloga Fátima conta que o sorriso traz uma série de sensações agradáveis e ajuda a eliminar sensações negativas, como tristeza e, até mesmo, depressão.

Sorrir é contagioso! 

A psicóloga Melina explica que o sorriso, além de trazer todos esses benefícios a nossa saúde, ainda é capaz de nos aproximar das pessoas conhecidas e aumentar as chances de fazer novas amizades. Afinal, ele não deixa de ser uma forma de comunicação. "Sorrir faz parte das relações sociais e compartilhá-lo faz bem a você a ao próximo!", diz Melina.
* por Carolina Gonçalves
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Fonte: MinhaVida/bem estar


Eugénio de andrade - O sorriso

Ouvir música alegre melhora capacidade cognitiva

Antonio Vivaldi, photo colorizada por Roger Viollet Collection
"Quando ouço música, a minha imaginação compraz-se muitas vezes com o pensamento de que a vida de todos os homens e a minha própria vida não são mais do que sonhos de um espírito eterno, bons e maus sonhos, de que cada morte é o despertar."
- Arthur Schopenhauer, em "Dores do Mundo - Capítulo referente à arte".

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OUVIR MÚSICA ALEGRE MELHORA CAPACIDADE COGNITIVA
(O estudo britânico teve como base os concertos da série As Quatro Estações de Vivaldi e revelou benefícios ao nível da atenção e da memória)

A Universidade de Northumbria, no norte do Reino Unido, levou a cabo um estudo que concluiu que ouvir música alegre pode melhorar as capacidades cognitivas, aumentando o “estado de alerta” do cérebro.
O estudo britânico teve como base os concertos da série As Quatro Estações de Vivaldi e revelou benefícios ao nível da atenção e da memória. Desenvolvido por Leigh Riby e publicado este mês na publicação Experimental Psychology, a investigação envolveu 14 jovens adultos aos quais foi pedida a realização de uma tarefa de concentração. O objetivo era carregar na barra de espaço de um teclado quando aparecesse um quadrado verde no ecrã do computador, ignorando os círculos de várias cores e outros quadrados que surgiam de forma intermitente.
A tarefa teve duas fases, onde primeiro foi desempenhada em silêncio e depois enquanto se ouvia cada um dos quatro concertos do compositor italiano. Durante o processo, a atividade cerebral dos jovens foi medida através de eletroencefalografia (uso de elétrodos no couro cabeludo para analisar as correntes elétricas do encéfalo), segundo o comunicado da Universidade da cidade de Newcastle, no seu site.
O estudo mostrou que, em média os participantes responderam de forma correta e com mais rapidez enquanto ouviam a Primavera de Vivaldi. Durante a música, o tempo médio de resposta foi de 393,8 milissegundos, e em silêncio, levaram, em média, 408.1 milissegundos a completar a tarefa.
Já com a composição Outono, música mais lenta e sombria, o tempo de resposta aumentou para os 413.3 milissegundos quando, indicando uma diminuição da capacidade mental.
Após o estudo, Leigh Riby concluiu que a Primavera de Vivaldi pode ser usada como terapia pois “melhorou a atividade geral do cérebro e provocou um efeito exagerado na área cerebral que é responsável pelo processamento emocional”. Riby concluiu ainda que o estudo forneceu “evidências de que há um efeito indireto da música na cognição que é criado pelo estado de alerta, humor e emoção”. 

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Fonte: por Rute Martins /EspalhaFactos


Antonio Vivaldi - As quatro estações - Julia Fischer (completo)
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Fonte Original: Psicologia Experimental (anteriormente Zeitschrift für Experimentelle Psychologie), coleção PsyJournals/PsyArticles/vol. 60, Número 2/2013.
Imagem: Antonio Vivaldi, photo colorizada por Roger Viollet Collection- Getty Images [Gravura oiriginal de François Morellon la Cave (1725)]

7 motivos para tomar café!

Café - 7 motivos para tomar
"A amizade é semelhante a um bom café; uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primeiro sabor."
- Emmanuel Kant



7 MOTIVOS PARA TOMAR CAFÉ!

Os amantes do café já sabem que a bebida traz benefícios para a saúde, tem um aroma único e é presença certa no nosso dia a dia. Mas, se por acaso você ainda não faz parte da lista dos fãs da bebida, separamos outros sete bons motivos para você mudar de ideia. ;)

1 – O café pode deixar você mais inteligente

Muitos estudos mostram que a cafeína pode melhorar o humor, diminuir o tempo de reação, melhorar a memória e também as funções cognitivas. A substância é capaz de bloquear os efeitos inibitórios no neurotransmissor adenosina e, com isso, aumenta a atividade dos neurônios e a liberação de outros neurotransmissores, como a dopamina – importante para a transmissão de impulsos nervosos – e a noradrenalina – que pode elevar a capacidade de atenção.

2 – Café pode reduzir o risco de Diabetes Tipo 2

Pesquisadores concluíram que o consumo habitual de café pode reduzir as chances de desenvolvimento da Diabetes Tipo 2 - uma redução de 23% a 67%, de acordo com as pesquisas.

3 – Café possui nutrientes importantes

Uma xícara de café pode conter, em média: 11% do valor diário recomendado (VDR) de Vitamina B5; 11% do VDR de Vitamina B2; 2% do VDR de Vitaminas B3 e B1; 3% de VDR de potássio e manganês; além de uma quantidade considerável de antioxidantes, que ajudam a preservar as células e retardam o envelhecimento.

4 – Café ajuda a queimar gordura

A cafeína ajuda a acelerar o metabolismo e eleva o uso de ácidos graxos, presentes nos tecidos gordurosos. E, por ser uma substância estimulante, pode melhorar a sua performance nas atividades físicas.

5 – Café pode reduzir chances de Alzheimer e Mal de Parkinson

O consumo diário de café pode diminuir em 60% as chances de desenvolvimento de Alzheimer e 32% a 60% as chances de Mal de Parkinson.

6 – Café pode preservar o seu fígado

A ingestão de até quatro xícaras de café por dia pode reduzir em 80% as chances de desenvolvimento da cirrose hepática, estágio em que grande parte do tecido do fígado está comprometida. O cafezinho também pode diminuir em 40% as chances de aparecimento de câncer de fígado.

7 – Café reduz a mortalidade

Ao reduzir as chances de desenvolvimento de Diabetes Tipo 2 e demais doenças mencionadas acima, o consumo de café pode aumentar a sua expectativa de vida.

E então, todos servidos de uma boa xícara de café?

Fonte: Hypescience

Aprenda oito dicas para ter olhos mais saudáveis

Olhos saudáveis
Aprenda oito dicas para ter olhos mais saudáveis

Poeticamente, os olhos são a janela da alma. Mas experimente executar de olhos fechados qualquer tarefa a que esteja acostumado no dia a dia e verá que, sem enxergar, a vida fica muito mais difícil. Na opinião do oftalmologista Renato Neves, as pessoas normalmente negligenciam a visão como se pudessem prescindir desse sentido tão fundamental.

– Basta entrar um cisco no olho para a pessoa perder a calma. É nesses momentos em que algo de errado acontece com a visão que algumas pessoas se dão conta de que precisavam cuidar melhor da saúde ocular, agindo de forma preventiva.

O especialista aponta oito dicas para ter olhos saudáveis:

Mantenha uma alimentação saudável

Abandone aqueles maus hábitos alimentares, como excesso de fritura, sal, açúcar e carne vermelha, e adote refeições saudáveis. Durante o dia, é importante consumir frutas variadas, legumes, verduras frescas e castanhas. A ideia é aumentar a ingestão de vitaminas, minerais, proteínas saudáveis, ômega-3 e luteína, já que os alimentos antioxidantes oferecem grandes benefícios à saúde ocular, retardando doenças como catarata e degeneração macular.

Dê um basta no cigarro

O fumo compromete a circulação sanguínea da retina, reduz a quantidade de antioxidantes presentes no sangue e afeta a visão em qualquer fase da vida, principalmente a partir dos 65 anos. Mesmo quem parou de fumar há quinze ou vinte anos apresenta mais chances de sofrer de doenças oculares do que quem nunca fumou. Portanto, quanto mais cedo parar de fumar, menores serão as chances de desenvolver catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade (DMRI).

Não saia de casa sem óculos de sol

A exposição aos altos índices de raio ultravioleta provoca degeneração macular — doença que afeta a parte central da retina, membrana posterior dos olhos onde as imagens são transmitidas para o nervo óptico. Como não existe tratamento eficaz para alterações retinianas, a prevenção com lentes protetoras ainda é o melhor remédio. Vale lembrar a importância dos óculos de boa procedência, que têm proteção UVA e UVB, além de tratamento nas lentes.

Muito cuidado ao passar horas diante do computador

Quem trabalha ou estuda muitas horas em frente ao computador deve fazer pausas a cada duas horas para que os olhos descansem durante o período. Durante as pausas, beba muita água e pisque os olhos aceleradamente para evitar a síndrome do olho seco. Também é indicado focar um objeto ou uma paisagem ao longe para trabalhar o músculo ocular.

Jogue fora a maquiagem velha

Leia atentamente o prazo de validade das sombras e do rímel, descartando o que já venceu. Até mesmo cremes e loções que apresentam o selo "dermatologicamente testado" devem ser utilizados com parcimônia, evitando o contato direto com a vista para que não provoquem ardor, irritação, vermelhidão e sensação de areia nos olhos.

Aprenda a usar óculos de proteção

Assim como cada prática esportiva tem seus equipamentos de proteção, também os olhos merecem ser protegidos durante o esporte, as atividades de lazer e até mesmo durante alguns serviços manuais. Uma bolada forte nos olhos pode, por exemplo, resultar no descolamento da retina e ser responsável pela perda parcial ou total da visão.

Use sempre o cinto de segurança no carro

Antes de se tornar obrigatório o uso do cinto de segurança, os acidentes de trânsito eram os maiores causadores de traumas oculares graves. Felizmente, esse tipo de acidente é bem menos frequente, mas ainda tem muita gente achando que não precisa do cinto para andar pequenas distâncias de carro. Ledo engano: nesse tipo de acidente, é comum ocorrer perfuração ou laceração ocular.

Não deixe de consultar um oftalmologista

Há pessoas que simplesmente passam anos e anos sem fazer um checkup da visão, dando como garantido um bem — a visão — que pode se deteriorar com o passar do tempo, principalmente se a pessoa não tomar os devidos cuidados. O adulto que tem presbiopia, miopia, astigmatismo ou hipermetropia deve visitar o oftalmologista uma vez ao ano para checar o grau e as formas de tratamento indicadas. Já quem sofre de doenças mais graves, como glaucoma, catarata e DMRI, entre outras, deve seguir recomendações médicas e consultar um especialista a cada seis meses, em geral.

Foto: Divulgação
Fonte: Diário Catarinense

Música e saúde: Câncer regride quando exposto a Beethoven

Ludwig van Beethoven - por Joseph Karl Stieler, 1820
Música e saúde: Câncer regride quando exposto a Beethoven

Reportagem publicada em 29.03.2011 no Globo Online por Renato Grandelle conta que células tumorais expostas à “Quinta Sinfonia”, de Beethoven, perderam tamanho ou morreram:


Mesmo quem não costuma escutar música clássica já ouviu o 1º movimento da “Quinta Sinfonia” de Beethoven. O “pam-pam-pam-pam” que abre uma das mais famosas composições da História, descobriu-se agora, seria capaz de matar células tumorais — em testes de laboratório. Uma pesquisa do Programa de Oncobiologia da UFRJ expôs uma cultura de células MCF-7, ligadas ao câncer de mama, à meia hora da obra. Um em cada cinco delas morreu, numa experiência que abre um nova frente contra a doença, por meio de timbres e frequências. A estratégia busca encontrar formas mais eficientes e menos tóxicas de combater o câncer: em vez de radioterapia, um dia seria possível pensar no uso de frequências sonoras. O estudo inovou ao usar a musicoterapia fora do tratamento de distúrbios emocionais.

— Esta terapia costuma ser adotada em doenças ligadas a problemas psicológicos, situações que envolvam um componente emocional. Mostramos que, além disso, a música produz um efeito direto sobre as células do nosso organismo — ressalta Márcia Capella, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, coordenadora do estudo. Como as MCF-7 duplicam-se a cada 30 horas, Márcia esperou 2 dias entre a sessão musical e o teste dos seus efeitos. Neste prazo, 20% da amostragem morreu. Entre as células sobreviventes, muitas perderam tamanho e granulosidade. O resultado da pesquisa é enigmático. A composição “Atmosphères”, do húngaro György Ligeti, provocou efeitos semelhantes àqueles registrados com Beethoven.

Mas a “Sonata para 2 pianos em ré maior”, Mozart, uma das mais populares em musicoterapia, não teve efeito.


— Foi estranho, porque esta sonata provoca algo conhecido como o “efeito Mozart”, um aumento temporário do raciocínio espaço-temporal — pondera a pesquisadora. — Mas ficamos felizes com o resultado. Acreditávamos que as sinfonias provocariam apenas alterações metabólicas, não a morte de células cancerígenas. “Atmosphères”, diferentemente da “Quinta Sinfonia” é uma composição contemporânea, caracterizada pela ausência de uma linha melódica. Por que, então, duas músicas tão diferentes provocaram o mesmo efeito? Márcia, agora, procura esta resposta dividindo as músicas em partes. Pode ser que o efeito tenha vindo não do conjunto da obra, mas especificamente de um ritmo, um timbre ou intensidade.

Ouça a 5ª Sinfonia

5ª sinfonia de Beethoven - regência Leonard Bernestein

Crítica e crise: uma contribuição à patogênese do mundo burguês - Reinhart Koselleck

Crítica e crise: uma contribuição à
patogênese do mundo burguês -
Reinhart Koselleck
CRÍTICA E CRISE
REINHART KOSELLECK -- terceira reimpressão
Tradução de Luciana Villas Boas Castello Branco 

256 páginas -- de R$ 49,00 por R$ 29,40 
:: no site Contraponto Editora. compre AQUI!
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Chega finalmente à língua portuguesa a obra clássica de Reinhart Koselleck, traduzida do original alemão. Em poucas páginas, de forma precisa e elegante, o autor oferece uma leitura profunda, erudita, original e surpreendente da formação das bases ideológicas do mundo contemporâneo.

    Fundado em fontes primárias – Barclay, D’Aubigné, Hobbes, Vattel, Locke, Lessing, Schiller, Voltaire, Diderot, Turgot, panfletos anônimos e textos da franco-maçonaria, entre outros –, "Crítica e crise" discute, explicitamente, transformações realizadas no século XVIII, mas é ao nosso tempo que se refere, implicitamente, do início ao fim. "A atual crise mundial", diz Koselleck no início do livro, "resulta da história europeia. A história europeia expandiu-se em história mundial e cumpriu-se nela, ao fazer com que o mundo inteiro ingressasse em um estado de crise permanente."

    A ascensão, agonia e queda dos Estados absolutistas e a dinâmica interna do Iluminismo servem de pano de fundo para que se compreenda o surgimento da filosofia da história, acontecimento decisivo da nossa época. Pois os tempos modernos começam quando a intelectualidade burguesa transforma a história em processo. "O alto tribunal da razão, entre cujos membros naturais a elite ascendente se inseria, envolveu em seu processo, em diferentes etapas, todas as esferas da vida. Mais cedo ou mais tarde, a teologia, a arte, a história, o direito, o Estado, a política e, finalmente, a própria razão são citados e chamados a prestar contas."

    O fermento da crítica altera o curso dos acontecimentos, quase sempre sem ter consciência disso. "A sociedade burguesa que se desenvolveu no século XVIII entendia-se como um mundo novo: reclamava intelectualmente o mundo inteiro e negava o mundo antigo. Cresceu a partir do espaço político europeu e, na medida em que se desligava dele, desenvolveu uma filosofia do progresso que correspondia a esse processo. O sujeito desta filosofia era a humanidade inteira."

    No século XVIII devem ser procurados, pois, os elementos fundantes da grande crise que, a partir de 1789, tem determinado os caminhos e descaminhos da história. Reinhart Koselleck mostra que, desde então, os conceitos de "crítica" e "crise" mantêm entre si uma conexão profunda, e que a separação entre moral e política, condição necessária à superação das guerras civis religiosas e à formação dos Estados absolutistas, não ficou impune.

    "Crítica e crise" é um livro genial, indispensável à compreensão do mundo de hoje.

                        César Benjamin

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Outros livros do autor:

ESTRATOS DO TEMPO: ESTUDOS SOBRE HISTÓRIA
REINHART KOSELLECK
Tradução de Markus Hediger
352 páginas – de R$ 68,00 por R$ 40,80
:: Saiba mais no site da  Contraponto Editora

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FUTURO PASSADO: CONTRIBUIÇÃO À SEMÂNTICA DOS TEMPOS HISTÓRICOS
REINHART KOSELLECK -- quarta reimpressão
Tradução de Wilma Patrícia Mass e Carlos Almeida Pereira

368 páginas -- de R$ 72,00 por R$ 43,20 
:: Saiba mais no site da  Contraponto Editora


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